Tinha ido dormir ontem, com uma certa paz de espírito pelo término das atividades físicas do seminário e pelas responsabilidades que ele gerava, mas internamente estava ansioso pelo dia de hoje. Tinha planejado ir ao Castelo de Shuri. O Castelo de Shuri é o que aparece na capa do meu livro “Karate-Do História Geral e no Brasil” com vários homens treinando Karate-Do em frente ao palácio. Pela primeira vez em Naha o céu não tinha nenhuma nuvem. O sol aparecia firme e acordei cedo, tomei café e antes das 9h já tinha pegado o monorail e chegado no aeroporto porque precisava trocar dinheiro pois estava acabando o meu Yen. Feito isso, fui até a estação final do monorail, que é exatamente a de Shuri. Já no monorail conseguimos ver a grandeza do Castelo de Shuri. Meu coração começou a bater mais forte e eu sabia porquê.
Ao chegar no parque do Castelo de Shuri vemos umas barraquinhas que vendem souvenirs e petiscos. É ali que temos o Centro de Descanso do Parque do Castelo de Shuri. Banheiros, restaurantes, lojas, enfim tudo necessário para dar assistência ao turista. É dali que começa a caminhada para o Castelo de Shuri. Peguei um caminho a esquerda e temos como primeira atração o portal chamado “Shureimon”. Este realmente é um portal, que chamamos de Dori
Estava curioso e logo fui percorrer o roteiro estipulado pela organização. Ao entramos na ala direita chamada de “Nanden – Bandokoro” vemos toda a linhagem da Dinastia Sho e todos os reis de Ryukyu. Um a um, com seu desenho e respectiva história colocados lado a lado. Após passar por essa história entro no “Senden” , que é a parte central, Existem três pisos, sendo o primeiro para assuntos governamentais, o segundo a sala do trono e acomodações do rei e o terceiro serve mais para ventilação. Vemos a cadeira e o trono que o rei sentava olhando para a praça central. Ao sair do “Nandem” entramos no “Rokuden” que é onde temos banheiros, loja do museu e etc.. Ao invés de sair para descer a Central de Descanso, voltei e fui para a praça central. Sentei numa mureta e fiquei ali sentindo a história em “loco”. Simplesmente os minutos se passavam e eu não conseguia ir embora. Estava extasiado com o lugar . Aquilo é como se fora parte de mim. Eu já tinha estudado sobre o assunto, eu já tinha visto filmes , lido livros mas agora eu estava na praça central do Castelo de Shuri. A história do Castelo de Shuri é também a história do Reino de Ryukyu e eu estava ali.
Como só tinha tirado fotos, peguei a filmadora e fui filmando o caminho contrário da entrada. Foi o único jeito que eu consegui de sair dali. Saí do castelo e peguei o monorail para o hotel. Deixei minhas coisas no quarto e lá fui eu para o Museu de História da Cidade de Naha.
O Museu não é muito grande , mas contém objetos e fotos da cidade de Naha em várias épocas. Fala sobre a família real Ryukyu Sho, dos ancestrais, das roupas e kimonos usados nas várias épocas, utensílios em gerais, pinturas e caligrafias. Muito interessante um fato no final. Fomos brindados com um filme que falava sobre Naha e citava o Karate-do. Apareceu Sensei Myagi vendo um aluno fazer guekisai it , que é o primeiro kata da goju-ryu e um professor de shorin fazendo o kata chinte.